Em um estudo retrospectivo, os inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4) – agentes hipoglicemiantes usados para tratar diabetes tipo 2 – foram associados com carga amiloide baixa e declínio cognitivo mais lento.
De 282 pacientes com doença de Alzheimer com comprometimento cognitivo e exame de PET scan positivo para amiloide, as pessoas que usaram inibidores da DPP-4 para tratar diabetes tiveram carga amiloide global menor do que as pessoas que usaram outros medicamentos para diabetes ou pessoas sem diabetes3, depois de ajustar para idade, sexo, educação, estado cognitivo e status APOE4, relatou Phil Hyu Lee, MD, PhD, do Yonsei University College of Medicine em Seul, Coreia do Sul, e colegas.
Pacientes com diabetes em uso de inibidores da DPP-4 também apresentaram menor carga amiloide regional nas áreas temporoparietais do que pessoas em outros grupos, escreveram eles no estudo publicado na revista Neurology.
Além disso, esses pacientes apresentaram diminuição longitudinal mais lenta nos escores do Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e nos subescores de recuperação da memória do que os pacientes que usaram outros medicamentos para diabetes.
“Pessoas com diabetes demonstraram ter um risco maior de doença de Alzheimer, possivelmente devido aos altos níveis de açúcar no sangue, que foram associados ao acúmulo de beta-amiloide no cérebro”, disse Lee em um comunicado.
“Nosso estudo não apenas mostrou que pessoas que tomam inibidores da dipeptidil peptidase-4 para reduzir os níveis de açúcar no sangue tinham menos amiloide em seus cérebros em geral, mas também mostraram níveis mais baixos em áreas do cérebro envolvidas na doença de Alzheimer”, acrescentou.
No artigo publicado, os pesquisadores analisaram a associação de uso de inibidor da dipeptidil peptidase-4 e carga amiloide em pacientes diabéticos com deficiência cognitiva relacionada à doença de Alzheimer.
O objetivo do estudo foi investigar se os inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4i) têm efeitos benéficos na agregação amiloide e no resultado cognitivo longitudinal no comprometimento cognitivo relacionado à doença de Alzheimer (CCDA) em diabéticos.
Foram revisados retrospectivamente 282 pacientes com CCDA que tiveram varredura positiva para amiloide em imagens PET scan usando florbetapir F 18. Eles foram classificados em três grupos de acordo com um diagnóstico prévio de diabetes e uso de DPP-4i: pacientes diabéticos sendo tratados com DPP-4i (CCDA-DPP-4i +, n = 70) ou sem DPP-4i (CCDA-DPP-4i −, n = 71) e pacientes não diabéticos (n = 141).
As análises de regressão linear múltipla foram realizadas para determinar as diferenças entre os grupos na retenção global e regional de amiloide usando taxas de valor de captação padronizadas calculadas a partir de áreas corticais. Avaliou-se as mudanças longitudinais na pontuação do Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) usando um modelo linear misto.
O grupo CCDA-DPP-4i + teve menor carga amiloide global do que o grupo CCDA-DPP-4i − (β = 0,075, erro padrão [EP] = 0,024, p = 0,002) e o grupo CCAD não diabético (β = 0,054, EP = 0,021, p = 0,010) após o ajuste para idade, sexo, educação, estado cognitivo e estado de portador de genótipo APOE4.
Além disso, o grupo CCDA-DPP-4i + apresentou menor carga amiloide regional nas áreas temporoparietais do que o grupo CCDA-DPP-4i − ou o grupo CCDA não diabético.
O grupo CCDA-DPP-4i + mostrou uma diminuição longitudinal mais lenta no escore do MEEM (β = 0,772, EP = 0,272, p = 0,005) e no subescore de recuperação da memória (β = 0,291, EP = 0,116, p = 0,012) do que o grupo CCDA-DPP-4i −.
Esses achados sugerem que o uso de inibidores da DPP-4 está associado a uma carga amiloide baixa e a um desfecho cognitivo favorável a longo prazo em pacientes diabéticos com comprometimento cognitivo relacionado à doença de Alzheimer.
Fontes:
Neurology, publicação em 11 de agosto de 2021.
MedPage Today, notícia publicada em 11 de agosto de 2021.


